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DESEMPREGO E CRISE PARA QUEM? by Alcides Pinto

O grupo que mais está sendo afetado, e o que eles estão fazendo para driblar esse momento?

Segundo as Nações Unidas no Brasil (ONUBR – 19/01/2016) “a persistência de altas taxas de desemprego em todo o mundo e a vulnerabilidade crônica dos empregos em muitas economias emergentes e em desenvolvimento ainda estão afetando profundamente o mundo do trabalho, adverte um novo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT)”.

O problema do desemprego no mundo tem se acentuado drasticamente, afetando as economias emergentes de modo geral, e isso, tem trazido graves consequências sociais com reflexos negativos para à economia das nações atingidas. Segundo o EBC – Agência Brasil (01/05/2016) apesar da crise internacional atingir em cheio os países emergentes, no caso brasileiro é agravado pelos problemas internos, ou seja, ganha outros contornos, que são pertinentes à crise política e fiscal que são as principais causas do desemprego no Brasil.

Vale ressaltar nesse mesmo contexto, que o Banco Mundial reduziu a perspectiva de crescimento global em 2016 para 2,4% comparado com 2,9% que foi projetado em janeiro deste ano. Segundo o Banco Mundial esta medida foi adotada, devido “ao crescimento lento das economias avançadas, preços de produtos básicos obstinadamente baixos, comércio global fraco e retração dos fluxos de capital.

Ainda de acordo com o Banco, “o Brasil deverá sofrer uma contração de 4% em 2016 e sua recessão deverá continuar em 2017 em meio a tentativas de arrocho das políticas, aumento do desemprego, redução da renda real e incerteza política”.

A despeito do cenário apresentado, alguns setores conseguem enxergar um pequeno “ponto de luz” aparecendo no fim do túnel. Apesar disso, ainda é precoce para sabermos como será o desenrolar ou desfecho da situação econômica do país nos próximos meses.

Independentemente dos fatores expostos acima, o que se percebe é que as perspectivas de aberturas de postos de trabalhos ainda não são muito animadoras, pois tende se perdurar a crise de desemprego por um bom tempo no Brasil, não obstante tenha havido uma tímida sinalização de melhora no aspecto do cenário econômico.

Segundo estudos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) publicado em julho deste ano, em face da crise econômica o Brasil deverá ter em 2016, o pior desempenho na criação de empregos na comparação com outros 43 países. De acordo com o relatório, o Brasil deve apresentar um saldo negativo de empregos, isto é, quando o número das demissões supera as contratações de 1,6% ao longo deste ano, em contrapartida nos países da OCDE a previsão é que haja crescimento de 1,5% dos postos de trabalho em 2016.

Segundo estudos da OCDE as projeções para 2017 apontam, que a situação no Brasil provavelmente melhorará com previsão de crescimento de 0,7% do emprego. Contudo, em outro estudo feito pela OCDE em junho também deste ano, o Brasil continuará sofrendo consequências em 2016 com a maior queda do PIB dentre as 44 economias que foram analisadas, devendo retroceder 4,3%.

Essa queda é atribuída ao aprofundamento da recessão, a qual deve subsistir até 2017, além disso temos as incertezas políticas, bem como a Operação Lava jato que vem atuando fortemente nas investigações dos maiores casos de corrupção já apurados no Brasil que abalam as estruturas de confiança dos investidores e consumidores. Por isso, segundo o relatório publicado pela OCDE a previsão da taxa de desemprego no Brasil deverá alcançar 11,3% neste ano contra 8,5% em 2015.

De acordo com esse contexto, são dois grupos que mais estão sendo afetados no “meio do olho desse furacão”.

Segundo o resultado dos estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgados em junho de 2016, mostram os mais afetados pelo desemprego é a população dos jovens entre 14 e 24. Esse grupo apresentou no 4° trimestre de 2015 o índice de 15,25% e passou para 26,36% no 1° trimestre deste ano, o que indica um aumento do desemprego.

O gráfico 1 mostra a divisão da população entre 14 e 24 anos entre ocupados, desocupados, aqueles que somente estudam e os chamados “nem-nem”, ou seja, aqueles que nem estudam nem atuam na força de trabalho. Observa-se no gráfico, que os jovens que somente estudavam subiram de 35% em 2012 até 38,2% no último trimestre de 2014, e, desde o início da crise, houve um novo recuo de até 36,3% no início de 2016. De outro modo, a proporção de jovens desocupados estava oscilando em torno de 8% até 2015, tendo subido de maneira muita acelerada desde então, alcançando o patamar de 13,2% em 2016. Por outro lado, a parcela de jovens nem-nem não mostrou qualquer indicador de tendência, tendo oscilado em torno de 13% durante todo o período.

GRÁFICO 1 – Taxa de Desemprego

(jan-fev-mar./2012 – fev-mar-abr./2016)

(Em %)

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Fonte: IBGE/PNADC.

Elaboração: Ipea/Dimac.

Outro grupo foram os dos chefes de família que também foi muito afetado e atingido pelo desemprego, com um nível mais grave. Segundo Mariana, Ana e Érica (Folha Uol – 01/08/2016) esse desemprego provocado pela recessão, chegou a um patamar extremamente grave: “passou a atingir os trabalhadores que respondem pela principal fonte de renda da família”.

De acordo com a Folha Uol, nem mesmo esses trabalhadores que tem resistido ao longo do tempo outras turbulências de mercado, e com mais vínculo de anos de emprego e experiência estão sendo poupados. Haja vista, que especialmente esse grupo foi o “mais afetado pelo desemprego no ano passado, representando cerca de um terço das demissões, segundo levantamento do economista Sérgio Firpo, do Insper”. O crescimento da taxa de desemprego dos chefes de família foi de 72%, de 3,53% dos trabalhadores no início da recessão, em meados de 2014, para 6,07% no primeiro trimestre deste ano.

De acordo com IBGE, esses chefes de famílias que são compostos por homens e mulheres, representam 45% dos funcionários com mais de dois anos atuando na mesma empresa.

O que os desempregados devem fazer para driblar esse momento de crise? Atente-se a algumas dicas.

Estar melhor preparado. A falta de empregabilidade não é somente por causa dos aspectos abordados acima, mas também porque são decorrentes da falta de qualificação profissional e de educação formal das pessoas.

Mariana Branco – Repórter da Agência Brasil entrevistou Gilberto Braga, que é economista e professor da Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas Ibmec, o qual aconselha que quem perdeu o emprego que nunca perca de vista a qualificação. Segundo o economista, “o importante é se qualificar, sempre. Hoje em dia, com o mercado mais fechado, quem tem o currículo melhor tem mais chances. Não se deve desistir de fazer cursos, estágios e de procurar emprego”. Ele salienta que o empreendedorismo é uma tendência em épocas de desemprego alto. “Entretanto, justamente por ser tendência, há muita concorrência”, alerta.

Muitos desempregados tentam driblar a crise apostando em um negócio próprio, mas será que estão preparados para empreender? Apostar no próprio negócio tem sido cada vez mais a alternativa de muita gente.

O presidente da Fecomércio, Domingos Tavares, diz que é possível começar um novo negócio nesse período de crise e de desemprego. E afirma que, “Na hora da crise é que a criatividade tem que aflorar. Então o desempregado tem essa saída. O empreendedorismo tem sido a saída para o desempregado e para aquele que não tem a perspectiva de um novo emprego.”

Nesse momento de recessão econômica e de alto índice de desemprego não é hora de os trabalhadores que estão procurando emprego ficarem escolhendo as oportunidades somente dentro da sua área de atuação, pelo contrário deve aceitar trabalhar em outras áreas. Também deve abrir mão de ganhar um salário maior. Usando dessas maleabilidades, aumentam as chances de oportunidades de conseguir trabalho, além de afastar o risco de ficar mais tempo ainda desempregado.

Paulo Sardinha que é Presidente da Associação Brasileira dos Profissionais de Recursos Humanos (ABRH), afirma que “a pessoa tem que ser flexível. Deve considerar uma atividade fora de sua área de atuação e com remuneração menor, ainda que temporariamente”. Segundo alguns especialistas procurar emprego em outras regiões também é uma medida que deve ser pensada e levada em consideração.

O especialista Sardinha afirma ao jornal O Dia que “o tempo para a recolocação no mercado de trabalho aumentou”. “Antes, a média era de 3 a 4 meses. Hoje, é de 6 meses. Por isso, não dá para cair no desânimo. Muitos recebem a notícia da demissão e ficam em choque. Deve-se retomar contatos logo e até a procurar emprego em outras regiões”, orienta ele, que dá como exemplo o setor de petróleo. “Enquanto há demissões em Macaé, há chances no Rio Grande do Norte”.

Outra alternativa dada pelo especialista, ao veículo de comunicação, é para “quem tem condições, de contratar empresas especializadas em recolocação no mercado de trabalho. A consultoria envolve desde aperfeiçoamento na carreira até indicações de vagas. Em geral o atendimento é para empresas, para recolocação de seus demitidos (outplacement), e também há atendimento para pessoas físicas, mas o preço costuma ser salgado”.

No entanto, mesmo com toda essa crise onde podemos encontrar paz para passarmos esse momento delicado?

Apesar das crises inesperadas que muitas vezes passamos em nossas vidas e que nos assombram algumas vezes, não podemos deixar que elas venham nos abater, pois fazem parte da experiência de vida. Na Bíblia, no Livro de Atos 27, conta uma história fantástica do naufrágio de um navio, de onde podemos ler e obter ótimos aprendizados para serem aplicados em nossas vidas em tempos de crise.

Rick Warren, escreveu sob esse mesmo contexto de crise no texto do Maná da Segunda do dia 30/04/2012, cujo o título é “Administrando Crises”, e ele diz em parte do trecho o seguinte: “Determine a razão. Pergunte a si mesmo: “Qual é realmente a razão por trás da crise?” A causa é geralmente mais profunda do que aquilo que surge na superfície. No caso do naufrágio relatado pelo apóstolo Paulo no livro de Atos são citadas três razões: (1) Eles deram ouvidos a conselhos errados; (2) Seguiram a opinião popular, e (3) Confiaram nas circunstâncias e não no que sabiam ser a coisa certa a ser feita. Se você está encontrando dificuldade para descobrir a razão de sua crise, tente orar a respeito”. O rei Davi escreveu: “Quando tentei entender tudo isso, achei muito difícil para mim, até que entrei no santuário de Deus…” (Salmo 73.16-17).

Portanto, independente das crises que passamos ao longo de nossas vidas, estejamos atentos e preparados para os embates, afinal Jesus Cristo está no controle de tudo e de todos.

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Alcides Oliveira Pinto, palestrante, consultor e capacitador da Envisionar – Estratégia e Capacitação de Líderes, Professor de graduação e pós-graduação, Especialista em Gestão Empresarial e Finanças e Mestre em Administração.