A Palavra

EU SOU MILIONÁRIO

No princípio do Século XXI, eu tive que fazer algumas viagens para a Índia. Uma delas me levou até os Himalaias, aquela parte da índia vizinha com o Nepal. Uma manhã, estava tomando o meu café, quando me dei conta de um grupo de jovens que, pela sua aparência e conversa, eram americanos. Suas discussões eram animadas e decidi unir-me a eles, era um grupo que estava viajando pela Índia, vindo especialmente para testemunhar do amor de Jesus. Eles me convidaram para participar com eles na manhã seguinte na visitação que fariam, de casa em casa, compartilhando o evangelho com os moradores daquela área, e prontamente aceitei o convite.

Na manhã seguinte, levantamos cedo e começamos a subir as escadas que levava ao topo dos Himalaias. Eram 965 degraus, e quando chegamos ao topo, estávamos a mais de 9.000 pés de altura. E ali começamos visitar de casa em casa. Estou lembrado de uma chopana que chegamos, onde moravam ali cinco pessoas. Para entrar precisava ficar em quatro pés e engatinhar, ficando sentado dentro do casebre. Fiquei impressionado com o que vi, o senhor da casa nos recebeu com muita amabilidade e nos estendeu o que os Indianos dizem ser “Namasté”: as boas vindas, cobertas de dignidade, saúde e paz dos deuses. Meu desejo era deixar com eles algo que pudessem ler e encontrar a salvação que Cristo oferece no seu idioma Hindi, e sair dali o mais rápido possível. O odor e o conforto daquele lugar eram incompreensíveis. Descobri que ninguém era alfabetizado naquela casa e compartilhamos o evangelho na sua mais simples forma. A recepção daquela família foi incrível, eles queriam ouvir mais do evangelho.

Algumas coisas ficaram claras naquele lugar e jamais me esquecerei:

  1. Existem muitos lugares no mundo como aquele. Eu vivo num palácio, em comparação com aquele casebre. A maioria dos brasileiros reclamam porque moram em casas sem pintura ou vivem em comunidades sem ruas calçadas, se sentiriam milionários sentados naquela casa nos Himalaias.
  2. Descobri também que o evangelho não se apresenta, mas se vive. Se eu não tivesse sentado dentro daquela chopana, jamais aquele povo teria dado ouvidos a mensagem que estava compartilhando. Com razão, Cristo disse àquele jovem rico que lhe perguntou que teria que fazer para herdar a vida eternal. Depois de conversar com ele, Cristo lhe mandou que vendesse tudo o que tinha e desse aos pobres e, então, poderia vir e segui-Lo. A nossa posição social muitas vezes nos impede que apreciemos a vida que outros levam, e ver que as nossas riquezas, muitas vezes, impedem que outros recebam a salvação.
  3. Eu também aprendi que o mundo aonde gostaria de viver é organizado e seguro. Na verdade, o mundo todo está ficando difícil de se viver. Certamente que aqueles Indianos nos Himalaias estavam a mercê de germes, dificuldades para descansar, falta de trabalho que lhes pudesse prover o pão de cada dia… As dificuldades para baixar e subir àquelas alturas para viver, onde até respirar era difícil e pareciam ser barreiras que não se podiam ultrapassar.

Amados, a cada dia que passa, está mais difícil de se viver nesse mundo. Até mesmo os acontecimentos em Londres esta semana mostram que a Grande Guerra Mundial, quando predisseram que agora haveria paz e poderíamos viver sem preocupações, foi uma farsa. A nossa segurança acabou. Não sabemos de onde virá o próximo ataque. O nosso fracasso tem sido a insistência que podemos mudar tudo. Mas, nós, os salvos por Cristo, sabemos que isto será impossível. Somente Cristo poderá fazer a diferença.

Ao celebrar Missões Mundiais este mês, vamos lembrar que ainda temos a possibilidade de transformar este mundo. Podemos mandar pessoas ou irmos pessoalmente e levar este evangelho que salva, que transforma, que nos dá paz, ainda nas horas difíceis, quando parece que tudo desabou. Cristo é o único que nos pode dar a verdadeira NAMASTÉ.

Pr. Geriel de Oliveira

Pastor em Exercício